segunda-feira, 17 de junho de 2013


 

SEQUÊNCIA DIDÁTICA – CRÔNICA NARRATIVA

“Meu primeiro beijo”

(Antônio Barreto)


1.    Justificativa:

A leitura é uma atividade permanente da condição humana, uma habilidade a ser adquirida desde cedo e treinada em várias formas. Lê-se para entender e conhecer, para sonhar, viajar na imaginação, por prazer ou curiosidade. Lê-se para questionar e resolver problemas. O indivíduo que lê participa de forma efetiva na construção e reconstrução da sociedade e de si mesmo, enquanto ser humano na sua totalidade. Na sociedade moderna, grande parte das atividades intelectuais e profissionais gira em torno da língua escrita. Vê-se, então, que desenvolver a leitura por meio de sequências didáticas vem colaborar com o desenvolvimento da habilidade de leitura proficiente dos alunos, o que garante o exercício da cidadania, o acesso aos bens culturais e a inclusão social.

 

2     . Objetivo Geral: propiciar aos alunos do Ensino Fundamental a leitura de obras literárias, a fim de que os mesmos desenvolvam o gosto e o hábito pela leitura, para que possam aplicar, na escrita, os conhecimentos adquiridos.

 

3     . Objetivos Específicos:

·         Desenvolver o gosto e o hábito da leitura;

·         Enriquecer o vocabulário;

·         Conhecer obras literárias diversificadas;

·         Analisar gêneroa literários e suas características;

·         Recriar as obras;

·         Aplicar os conhecimentos adquiridos na escrita.

 

4     . Ativação dos conhecimentos de mundo:

·         Debate na sala de aula sobre a atividade que será proposta;

·         Pesquisa: meio de circulação e características do gênero textual escolhido – crônica;

·         Pesquisa: conhecimentos prévios acerca da vida e da obra do autor escolhido;

·         Pesquisa: simbologia do beijo em diversas culturas;

·         Entrevista com os pais ou avós sobre o primeiro beijo;

·         Leitura individual do texto.

 

5     .Localização de informações:

·         Leitura dramatizada do texto em sala;

·        Realização de um roteiro de leitura pré-estabelecido (ficha de leitura) no qual o aluno deverá observar a estrutura (situação inicial, obstáculo, clímax e desfecho) e os elementos da narrativa (tempo, espaço, narrador e personagens);

·        Estudo do vocabulário utilizado pelo autor;

·        Entrevista com o professor de Ciências para o esclarecimento dos termos técnicos usados no texto;

·        Observação das modalidades formal/informal da língua;

·        Análise da intencionalidade do autor quanto à modalidade linguística utilizada (relação com o público-alvo).

 

6       .Produção de inferências locais e globais:

·        Verificação do sentido do título enquanto introdução ao tema tratado no texto;

·        Discussão sobre a importância do primeiro beijo na adolescência e as mudanças acarretadas por esse acontecimento;

·        Debate sobre as mudanças físicas e psicológicas vividas na adolescência;

·        Relação entre a pesquisa acerca da simbologia do beijo (feita antes da leitura) e a situação vivida pelas personagens no texto.

 

7       .Recuperação do contexto de produção:

·        Verificação das mudanças sociais e comportamentais ocorridas desde a publicação da obra (1977);

·        Relato da professora (ou de outra pessoa mais velha) sobre o seu primeiro beijo e o contexto em que aconteceu;

·        Reflexão e comparação entre os relatos, o texto e a atualidade.

 

8       .Percepção das relações de intertextualidade e interdiscursividade:

·        Solicitação aos alunos (divididos em grupos) para que tragam numa outra aula textos que tenham intertextualidade com a crônica lida: H.Q., poema, letra de música, conto.

·        Socialização sobre a relação que se estabalece entre os textos no que condiz ao tema tratado.

 

9       .Percepção de outras linguagens:

·        Discussão de fechamento da leitura: levantamento das percepções, opiniões e justificativas dos alunos acerca da leitura realizada;

·        Nesta etapa, o professor deve focar a discussão nos valores éticos relativos a um relacionamento afetivo. Atualmente, essas relações encontram-se bastante banalizadas e o desrespeito à pessoa é recorrente. Por isso, há a necessidade de uma educação sexual menos informativa e mais voltada para o lado sentimental.

 

10  .  Avaliação

Os alunos serão avaliados por meio de observação contínua e registros feitos durante o desenvolvimento da sequência didática. Interatividade, participação compartilhada, respeito às regras, disciplina, organização, habilidade de trabalhar em equipe e responsabilidade são de grande relevância para que haja um resultado satisfatório.

 

 
Meu Primeiro Beijo

Antonio Barreto

É difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...

Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:

" Você é a glicose do meu metabolismo.

Te amo muito!

Paracelso"

E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de mulher...E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.

No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o seguinte papo:

- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.

Mas ele continuou:

-Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:

- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250 bactérias...

Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.

E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos, o abismo do primeiro beijo.

Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados por vária semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!

 

BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p. 134-6.

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário