SEQUÊNCIA DIDÁTICA – CRÔNICA
NARRATIVA
“Meu primeiro beijo”
(Antônio Barreto)
1.
Justificativa:
A leitura é uma atividade
permanente da condição humana, uma habilidade a ser adquirida desde cedo e
treinada em várias formas. Lê-se para entender e conhecer, para sonhar, viajar
na imaginação, por prazer ou curiosidade. Lê-se para questionar e resolver problemas.
O indivíduo que lê participa de forma efetiva na construção e reconstrução da
sociedade e de si mesmo, enquanto ser humano na sua totalidade. Na sociedade
moderna, grande parte das atividades intelectuais e profissionais gira em torno
da língua escrita. Vê-se, então, que desenvolver a leitura por meio de
sequências didáticas vem colaborar com o desenvolvimento da habilidade de
leitura proficiente dos alunos, o que garante o exercício da cidadania, o
acesso aos bens culturais e a inclusão social.
2
. Objetivo Geral:
propiciar aos alunos do Ensino Fundamental a leitura de obras literárias, a fim
de que os mesmos desenvolvam o gosto e o hábito pela leitura, para que possam
aplicar, na escrita, os conhecimentos adquiridos.
3
. Objetivos Específicos:
·
Desenvolver o gosto e o hábito da leitura;
·
Enriquecer o vocabulário;
·
Conhecer obras literárias diversificadas;
·
Analisar gêneroa literários e suas características;
·
Recriar as obras;
·
Aplicar os conhecimentos adquiridos na escrita.
4
. Ativação
dos conhecimentos de mundo:
·
Debate na sala de aula sobre a atividade que será
proposta;
·
Pesquisa: meio de circulação e características do
gênero textual escolhido – crônica;
·
Pesquisa: conhecimentos prévios acerca da vida e da
obra do autor escolhido;
·
Pesquisa: simbologia do beijo em diversas culturas;
·
Entrevista com os pais ou avós sobre o primeiro
beijo;
·
Leitura individual do texto.
5
.Localização
de informações:
·
Leitura dramatizada do texto em sala;
·
Realização de um roteiro de leitura
pré-estabelecido (ficha de leitura) no qual o aluno deverá observar a estrutura
(situação inicial, obstáculo, clímax e desfecho) e os elementos da narrativa
(tempo, espaço, narrador e personagens);
·
Estudo do vocabulário utilizado pelo autor;
·
Entrevista com o professor de Ciências para o
esclarecimento dos termos técnicos usados no texto;
·
Observação das modalidades formal/informal da
língua;
·
Análise da intencionalidade do autor quanto à
modalidade linguística utilizada (relação com o público-alvo).
6
.Produção de
inferências locais e globais:
·
Verificação do sentido do título enquanto
introdução ao tema tratado no texto;
·
Discussão sobre a importância do primeiro beijo na
adolescência e as mudanças acarretadas por esse acontecimento;
·
Debate sobre as mudanças físicas e psicológicas vividas
na adolescência;
·
Relação entre a pesquisa acerca da simbologia do
beijo (feita antes da leitura) e a situação vivida pelas personagens no texto.
7
.Recuperação
do contexto de produção:
·
Verificação das mudanças sociais e comportamentais
ocorridas desde a publicação da obra (1977);
·
Relato da professora (ou de outra pessoa mais
velha) sobre o seu primeiro beijo e o contexto em que aconteceu;
·
Reflexão e comparação entre os relatos, o texto e a
atualidade.
8
.Percepção
das relações de intertextualidade e interdiscursividade:
·
Solicitação aos alunos (divididos em grupos) para
que tragam numa outra aula textos que tenham intertextualidade com a crônica
lida: H.Q., poema, letra de música, conto.
·
Socialização sobre a relação que se estabalece
entre os textos no que condiz ao tema tratado.
9
.Percepção
de outras linguagens:
·
Discussão de fechamento da leitura: levantamento
das percepções, opiniões e justificativas dos alunos acerca da leitura
realizada;
·
Nesta etapa, o professor deve focar a discussão nos
valores éticos relativos a um relacionamento afetivo. Atualmente, essas
relações encontram-se bastante banalizadas e o desrespeito à pessoa é
recorrente. Por isso, há a necessidade de uma educação sexual menos informativa
e mais voltada para o lado sentimental.
10 . Avaliação
Os alunos serão avaliados
por meio de observação contínua e registros feitos durante o desenvolvimento da
sequência didática. Interatividade, participação compartilhada, respeito às regras,
disciplina, organização, habilidade de trabalhar em equipe e responsabilidade
são de grande relevância para que haja um resultado satisfatório.
Meu
Primeiro Beijo
Antonio
Barreto
É difícil
acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem
com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele
sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos
virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se
numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus
milhares de bilhetinhos:
" Você
é a glicose do meu metabolismo.
Te amo
muito!
Paracelso"
E assinou
com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou
com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal,
coisas de mulher...E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele,
mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.
No dia
seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus,
veio com o seguinte papo:
- Um beijo
pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele
continuou:
-Dependendo
do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e
acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e
pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A gente
também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18
g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo
menos 250 bactérias...
Aí o
bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou
os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse
que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes.
E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a
pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus
lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos
abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.
E de repente
o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos, o
abismo do primeiro beijo.
Desci,
cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos
apaixonados por vária semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e
voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram,
depois diminuíram...e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo.
Mas foi inesquecível!
BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do
primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p. 134-6.
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