TEMA:RELACIONAMENTOS FAMILIARES

Sinopse
e detalhes
Nova York. Vince Rizzo (Andy Garcia) é um guarda de prisão que se
surpreende ao ver o nome de um integrante de sua família entre os novos
condenados. Trata-se de Tony Nardella (Steven Strait), seu filho, por ele
abandonado há 20 anos. Agora casado e com uma nova família, Vince resolve
acolhê-lo em sua casa. Só que ele nada conta sobre o parentesco existente para
sua família e também para o próprio Tony. Este segredo é apenas mais um na
família Rizzo. Joyce (Julianna Margulies), a esposa de Vince, frequenta aulas
de interpretação sem que alguém saiba. Vivian (Dominik García-Lorido), a filha
deles, finge ser uma universitária mas na verdade trabalha em uma boate, como
stripper. Já Vince Jr. (Ezra Miller) finge estar fora de si para esconder de todos
seu fetiche sexual.
CHECAGEM DE HIPÓTESES
1 – O modelo de família apresentado no filme corresponde a alguma
que você conhece?Em quais sentidos?
2 – Para vocês, quais são os principais problemas de
relacionamento da família moderna?
3 – Como é o seu relacionamento familiar?
4 – Vocês concordam que os segredos têm de fazer parte das
famílias para se ter um bom relacionamento, respeitando a individualidade?
MOMENTO DE PESQUISA : SALA DO ACESSA ESCOLA
- Sobre o autor;
- Conceitos e características do gênero textual Conto;
- Significados da palavra Pausa.
INTERTEXTUALIDADE - SENSIBILIZAÇÃO
MÚSICA
– “SEGREDO” – Calcinha Preta
Sabe, as vezes não consigo compreender,
Porque me falta palavras pra dizer,
Sempre tive um segredo pra contar,
Mas coragem nunca tive de falar.
Porque me falta palavras pra dizer,
Sempre tive um segredo pra contar,
Mas coragem nunca tive de falar.
Esse medo cala a voz do coração,
O silêncio me deixa na solidão,
Nunca quis ficar nessa situação,
Com esse medo e com essa indecisão.
O silêncio me deixa na solidão,
Nunca quis ficar nessa situação,
Com esse medo e com essa indecisão.
Tô na dúvida não sei o que fazer,
Não dá mais eu não posso te esconder.
Não dá mais eu não posso te esconder.
Eu tento mas não consigo disfarçar,
Não vou suportar,
Sabe tenho um segredo pra contar,
Não dá pra segurar...
Não vou suportar,
Sabe tenho um segredo pra contar,
Não dá pra segurar...
Eu te amo ta difícil de esconder,
Ta na cara a verdade da pra vê,
Não consigo controlar meus sentimentos.
Ta na cara a verdade da pra vê,
Não consigo controlar meus sentimentos.
Meu coração não tem culpa de por ti se
apaixonar,
Eu te amo e nunca vou te enganar,
Ao te vê eu juro que não resistir.
Eu te amo e nunca vou te enganar,
Ao te vê eu juro que não resistir.
TEXTO – “PAUSA” – MOACYR
SCLIAR
"Às sete horas o
despertador tocou. Samuel saltou da cama,
correu para o banheiro, fez
a barba e lavouse. Vestiuse rapidamente
e sem ruído. Estava na
cozinha, preparando sanduíches, quando a
mulher apareceu, bocejando:
—Vaissair de novo, Samuel?
Fez que sim com a cabeça.
Embora jovem, tinha a fronte
calva; mas as sobrancelhas
eram espessas, a barba, embora recém
feita, deixava ainda no
rosto uma sombra azulada. O conjunto era
umamáscara escura.
— Todos os domingos tu sais
cedo — observou a mulher
comazedume na voz.
— Temos muito trabalho no
escritório — disse o marido,
secamente.
Ela olhou ossanduíches:
—Por que não vens almoçar?
— Já te disse: muito
trabalho. Não há tempo. Levo um
lanche.
A mulher coçava a axila
esquerda. Antes que voltasse à
carga, Samuel pegou o
chapéu:
—Volto de noite.
As ruas ainda estavam
úmidas de cerração. Samuel tirou o
carro da garagem. Guiava
vagarosamente, ao longo do cais, olhando os
guindastes,asbarcaçasatracadas.
Estacionou o carro numa
travessa quieta. Com o pacote de
sanduíches debaixo do
braço, caminhou apressadamente duas quadras.
Detevese ao chegar a um
hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e
entroufurtivamente.Bateucomas
chavesdocarronobalcão,acordando
um homenzinho que dormia
sentado numa poltrona rasgada. Era o
gerente.Esfregandoosolhos,pôssedepé.
—Ah! Seu Isidoro!
Chegoumais cedo hoje. Friozinho bomeste,
nãoé?Agente...
—Estoucompressa,seuRaul!—atalhouSamuel.
— Está bem, não vou
atrapalhar. O de sempre. — Estendeu a
chave.
Samuelsubiuquatrolançosdeumaescadavacilante.
Ao chegar ao último andar,
duasmulheres gordas, de chambre
floreado,olharamnocomcuriosidade:
—Aqui,meubem!—umagritou, e
riu:umcacarejocurto.
Ofegante, Samuel entrou no
quarto e fechou a porta à chave.
Era um aposento pequeno:
uma cama de casal, um guardaroupa de
pinho; a um canto, uma
bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel
correu as cortinas
esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de
viagem,deucordae
colocouonamesinhade cabeceira.
Puxou a colcha e examinou
os lençóis com o cenho franzido;
comumsuspiro,tirouo casaco
eossapatos,afrouxouagravata. Sentado
na cama, comeu vorazmente
quatro sanduíches. Limpou os dedos no
papelde embrulho,deitouse
e fechouosolhos.
Dormir.
Empouco,dormia.Láembaixo,acidade
começavaamoverse:
osautomóveisbuzinando,osjornaleirosgritando,ossonslongínquos.
Um raio de sol filtrouse
pela cortina, estampou um círculo
luminosonochãocarcomido.
Samuel dormia;sonhava. Nu,
corria por uma planície imensa,
perseguido por índio
montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o
galope. No planalto da
testa, nas colinas do ventre, no vale entre as
pernas, corriam.
Samuelmexiase e
resmungava.Às duas emeiadatarde sentiu
uma dor lancinante nas
costas. Sentouse na cama, os olhos
esbugalhados: o índio
acabava de trespassálo com a lança. Esvaindose
em sangue, molhado de suor,
Samueltombou lentamente; ouviu o apito
soturnodeumvapor.Depois,silêncio.
Às sete horas o despertador
tocou. Samuel saltou da cama,
correuparaabacia,lavouse.Vestiuse
rapidamente e saiu.
Sentadonumapoltrona,ogerente
liaumarevista.
—Jávai,seuIsidoro?
— Já — disse Samuel,
entregando a chave. Pagou, conferiu o
trocoemsilêncio.
—Atédomingoque
vem,seuIsidoro—disseogerente.
—Não seise virei—respondeu
Samuel, olhando pela porta; a
noite caía.
— O senhor diz isto, mas
volta sempre — observou o homem,
rindo. Samuelsaiu.
Ao longo do cais, guiava
lentamente. Parou, uminstante, ficou
olhando os guindastes
recortados contra o céu avermelhado. Depois,
seguiu.Paracasa."
SCLIAR,
Moacyr.In:BOSI,Alfredo.Oconto brasileiro contemporâneo.
SãoPaulo: Cutrix,1
MOMENTO DE REFLEXÃO

INTERPRETAÇÃO ORAL E ESCRITA COM INFERÊNCIAS DOS ELEMENTOS DA NARRATIVA
1 – Quais são suas impressões dessa narrativa?
2 – Por quê, na sua opinião, o personagem faz uma “pausa” em outro lugar
que não sua casa?
3 – Qual a relação do segredo (que aparece no filme e na letra da
música) com a postura do personagem do texto?
4 – Pode-se entender que a pausa que o personagem faz no texto também
pode ser interpretada como um segredo?
5 – Identifique, com passagens do texto, os elementos da narrativa: foco
narrativo, tempo, espaço e personagens.
SUGESTÕES DE AVALIAÇÃO
-Dentro do que você compreendeu sobre o tema abordado, reflita e produza
um conto, em primeira pessoa, onde você aborde algum tipo de segredo que possa
existir nas relações familiares.
- Ainda sobre os tema abordado, reescreva o texto procurando dar outro
rumo à narrativa.
- Dentro das impressões que o texto lhe causaram, elabore uma seqüência
em que o personagem revele o motivo de sua pausa no hotel.

